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quinta-feira, 31 de março de 2011

ONDE DEUS ESTÁ QUANDO ESTAMOS NO DESERTO?


Você se lembra de quando, em completa frus­tração, apenas balbuciava o seu nome, e sua presença imediatamente se manifestava. Mas agora, no deserto, você quer gritar: "Deus! Onde estás?"

"Eis que, se me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. Se opera à esquerda, não o vejo; esconde-se à direita, e não o diviso" (Jó 23:8, 9).

Não é assim que você chora? Você almeja ouvir a Deus e tudo o que consegue é ouvir apenas um grande silêncio! Você ora, e sua oração não passa do teto. Completamente frustrado, você se lembra de quando, em completa frustração, apenas bal­buciava o nome de Deus, e sua presença imediatamente se mani­festava. Mas, agora, no deserto você grita: "Deus! Onde estás?" E, como Jó, olha para todos os lados procurando Deus e não o percebe. Você nem enxerga o que Deus tem feito a seu favor.
Bem-vindo ao deserto! Fique sabendo, no entanto, que você não está sozinho, mas em boa companhia.
Você anda por onde andou Moisés... o mesmo Moisés criado como príncipe no palácio de Faraó. O Moisés que tinha uma visão de libertação do seu povo da escravidão do Egipto. Aquele Moisés que pastoreou umas poucas ovelhas num canto isolado do deserto durante quarenta anos.
Você tem a companhia de José... José, o preferido do papai... José, com sonhos de liderança e conquistas. José, ainda jovem, jogado numa cisterna e depois vendido como escravo por seus irmãos. José, apodrecendo na fétida prisão de Faraó...
Você está sentado ao lado de Jó... o homem descrito pelas Escrituras como "o maior de todos os do Oriente" (Jó 1:3). Jó, que perdeu tudo: bens, filhos, saúde e o apoio da esposa.
Contudo, o mais importante é que você estará acompa­nhado do Filho de Deus, Jesus, que depois de receber do Pai o testemunho de que era seu Filho, após receber o Espírito San­to, foi para o deserto enfrentar as forças das trevas.
A lista de viajantes do deserto é extensa, pois o deserto é o lugar por onde passa todo filho de Deus. Gostaríamos de evitá-lo; procuramos um atalho ou desvio, mas eles não exis­tem. A rota da terra prometida passa, inevitavelmente, pelo de­serto, e a terra não poderá ser conquistada se não o atravessar­mos. Se quisermos entrar na terra prometida, precisamos en­tender o tempo em que vivemos.
FONTE: Vitória no Deserto - (John Bevere)

PROVIDÊNCIA NO DESERTO


No deserto, você recebe o "pão de cada dia", e não a "abundância de riquezas". É um tempo em que nada lhe falta para o suprimento físico e material, mas você não ganha tudo o que quer. Deus sabe do que você precisa para o suprimento espiritual, e nem sempre ele dá o que você acha que precisa!
Na América, quando temos falta de alguma coisa, dize­mos: "o Diabo atravessou o meu caminho". O problema é que nossa definição de necessidades e desejos difere da realidade. Achamos que o que queremos é uma "necessidade", quando a realidade é bem outra!
A Igreja americana tem de aprender o sentido das pala­vras de Paulo em Filipenses 4:11-13:
"Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de es­cassez; tudo posso naquele que me fortalece " (Grifo do autor).
Paulo aprendeu que, na força de Cristo, poderia viver ale­gre na pobreza e na abundância. Entretanto, aqui na América, os crentes pensam diferente! Os que vivem na fartura sentem-se mais infelizes do que aqueles que sofrem necessidades diárias.
Se não possuímos algo do qual podemos nos gabar de que é nosso, achamos que alguma coisa nos "falta". Julgamos a fé de uma pessoa e mensuramos sua espiritualidade por aquilo que ela possui, quando deveríamos atentar para o carácter dela, e não para suas posses. Os israelitas fugiram do Egipto com muita riqueza; ouro, prata e tecidos finíssimos. Contudo, usaram o precioso metal para fazer ídolos no deserto, e os tecidos e jóias, como adorno, para dançar diante deles.
Na realidade, o bem que possuíam não era sinal de san­tidade! Somente duas pessoas, dentre as milhares que saíram do Egipto com idade acima de 20 anos, tinham o carácter neces­sário para entrar na terra prometida. Josué e Calebe entraram na terra porque tinham "espírito diferente". Seguiam a Deus de verdade (Nm 14:24)! Erramos em nossos sistemas de valores quando julgamos as pessoas pelas riquezas e posses, e não por aquilo que são.
Por outro lado, quando um crente tem abundância de re­cursos ou galga uma posição de influência e de liderança, ele acha que Deus lhe deu tudo isso para usar como quiser! Compra o que quer, gasta o dinheiro no que bem entende e no que lhe satisfaz, ou usa sua posição de influência para benefício próprio.
Na realidade, a abundância de recursos e a posição de autoridade deveriam levar a pessoa a depender cada vez mais de Deus e a fazer a sua vontade.
Tem gente que ocupa a posição de autoridade que Deus lhe concede apenas para realizar seus sonhos pessoais. Paulo, mesmo tendo autoridade para receber ajuda financeira daque­las igrejas que ele mesmo começara, disse: "Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo" (1 Co 9:11, 12 - grifo do autor). Para Paulo, era mais importante não criar obstáculo à pregação do evangelho do que receber bens materiais que por direito eram dele!
Escrevendo a respeito da ajuda financeira que os filipenses lhe deram, Paulo disse: "Não que eu procure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumen­te o vosso crédito" (Fp 4:17). Ele se preocupava com o bem-estar dos que ofertaram, e não com os benefícios pessoais que poderia obter com a oferta, tampouco com o sucesso ministerial.
Existem pessoas que não aprenderam a viver com a un­ção; usam-na para ajuntar multidões e para terem fama. A mo­tivação de alguns pregadores é ficarem conhecidos em todo o país e levantar grandes somas de dinheiro. Toda motivação cujo foco seja outra coisa, que não o carácter de Deus, redundará em destruição. Deus deseja o bem-estar do seu povo, e não apoia os motivos pessoais de seus obreiros.
Esta é a admoestação que se encontra em Filipenses 2:3-5:
"Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus".
Jesus agia em seu ministério despojado de toda motiva­ção pessoal. Ele tomou sobre si os nossos pecados, e a pena de morte que nos estava reservada (portanto, levando em conta que o nosso bem-estar era mais importante do que o dele), mes­mo sendo inocente. Seu alvo na vida era servir e dar a vida em nosso favor. Negando-se a si mesmo, deu-nos o maior de todos os dons: a vida eterna!
É esse tipo de carácter que Deus aperfeiçoa em nós no deserto. É no deserto que o fruto do Espírito é cultivado e irri­gado. O intenso desejo de conhecer o Senhor nos leva a cami­nhar seguindo os seus passos. Paulo não tinha como objectivo de vida edificar um grande ministério; tudo o que almejava era conhecer a Jesus de forma mais íntima e, acima de tudo, agradar-lhe!
O deserto é um lugar de secura. Pode ser secura espiri­tual, financeira, social ou física. É no deserto que recebemos de Deus o "pão de cada dia", não a "abundância de riquezas". Ele supre nossas necessidades, porém não nos dá aquilo que dese­jamos. Afinal, o objectivo do deserto é o nosso aperfeiçoamen­to. Nosso alvo deve ser conhecer melhor o Senhor, e não ape­nas viver em busca de suas provisões. Assim, quando tivermos em abundância, reconheceremos que foi o Senhor quem nos deu. Ele nos concede abundância de sua graça, para confirmar a sua aliançai (Dt 8:12-18)
FONTE: VITÓRIA NO DESERTO  ( JONH BEVERE)

segunda-feira, 28 de março de 2011

1ª Lição: QUEM É O ESPÍRITO SANTO


introdução
      Somos grato a Deus por nos proporcionar mais um trimestre de estudo da Santa e inerrante  Palavra de Deus. Desta feita o Senhor nos concede tamanho privilégio e responsabilidade de estudar um assunto de tamanha importância. No trimestre passado podemos ver que foi através   do Espírito Santo que o Evagelho teve sua total expansão, sendo  derramado sobre os apóstolos do Senhor. Nesse trimestre estudaremos de forma clara sobre a pessoa do Espírito Santo: O que ele é , o que faz, e que continuará fazendo. Sem sobra de dúvida, no decorrer dos temas proposto, a igreja de Cristo receberá um substancial ensino dentro do palpitante assunto. Assim declsarou Orígenes na defesa da trindade: "Devemos entender que o Espírito Santo nos ensina verdades que não se podem expressar com palavras". Orígenes (248 d.C.) Uma boa Aula!!!!!

I. A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO1. A doutrina do Espírito Santo. Em Teologia Cristã, pneumatologia se refere ao estudo do Espírito Santo. Pneumatologia, do gr. Pneumatos, Espírito, e Lógos, revelação; palavra; discurso; doutrina; raciocínio. O termo significa, então, ‘doutrina do Espírito’. Nesta doutrina Cristã, o Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade. Algumas formas de Cristianismo negam que o Espírito Santo seja pessoal, embora assegurando que pode, em algumas ocasiões, influenciar as pessoas. Apesar de nos dizer em Jo 4.24 que Deus é Espírito, o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da trindade. O termo hebraico com o qual ele é designado é ruach, e o grego é pneuma, ambos como o vocábulo latino spiritus, derivam de raízes que significam ‘soprar’, ‘respirar’. Daí também podem ser traduzidos por ‘sopro’ ou ‘fôlego’ (Gn 2.7; 6.17; Ez 37.5,6), ou ‘vento’ (Gn 8.1; 1Rs 19.11; Jo 3.8).
2. O Espírito Santo no Antigo e no Novo Testamento. O Espírito Santo existia antes do Pentecostes como a terceira pessoa da Trindade, e nessa qualidade esteve sempre ativo, mas o período que antecedeu a este dia, não foi os de sua atividade especial. O período do Antigo Testamento foi de preparação e espera. As verdades conhecidas então, eram verdades simples e dadas por meio de lições objetivas. Só havia e só podia haver bem pouco contato pessoal entre o homem e Deus. Ocasionalmente, um patriarca ou profeta falava face a face com Ele, naturalmente que o Espírito esteve ativo durante aquele período; Ele descia sobre os homens apenas temporariamente, a fim de inspirá-los para algum serviço especial, e deixava-os quando essa tarefa ficava terminada, não permanecia com os homens nem neles habitava. Existem várias referências ao Espírito Santo de Deus distribuídas pelo Velho Testamento. Mesmo que a doutrina da Trindade não esteja muito clara no Velho Testamento, a personalidade e a divindade do Espírito Santo ali são reveladas. No primeiro versículo da Bíblia (Gen. 1:1), a palavra hebraica para Deus, é usada no plural. Em Gen. 1:2, o Espírito é expressamente mencionado. Deus também refere-se a si mesmo no plural (Gen. 1:26; 11:7) e em Is 48:16, as três pessoas da Trindade são mencionadas juntas. Muitos dos títulos atribuídos ao Espírito Santo podem ser encontrados no Velho Testamento (Salms 51:11; Zac 12:10, Jó 33:4). O Antigo Testamento geralmente emprega o termo ‘espírito’ sem qualitativos, ou fala do ‘Espírito de Deus’ ou ‘Espírito do Senhor’ e utiliza a expressão ‘Espírito Santo’ somente em Sl 51.11; Is 63.10,11, enquanto no Novo testamento esta veio a ser uma designação da terceira pessoa da Trindade. Louis Berkhof afirma que “é um fato notável que, enquanto o Antigo Testamento repetidamente chama a Deus ‘o Santo de Israel’, o Novo testamento raramente aplica o adjetivo ‘santo’ a Deus em geral, mas o utiliza freqüentemente para caracterizar o Espírito. Com toda a probabilidade isso se deve ao fato de que foi especialmente no Espírito e sua obra santificadora que Deus se revelou como o Santo. É o Espírito Santo que faz sua habitação nos corações dos crentes, que os separa para Deus e que os purifica do pecado”[3].

2. O Espírito Santo na atualidade.
O estágio atual, período que se estende do dia de Pentecostes até os nossos dias, pode legitimamente ser chamado de ‘dispensação do Espírito’. A partir dali marcou o raiar de um novo dia nas relações com a humanidade. Desde então habitou nos homens, e na Igreja; Todo o trabalho eficaz que a Igreja tem feito tem sido realizado no poder do Espírito. Ela é o verdadeiro corpo de Cristo, habitado pelo Espírito Santo, e como tal é indestrutível, idêntica ao reino e trono de Deus. A obra do Espírito Santo na atualidade caracteriza-se por Ele habitar no crente (1Co 6.15-19; 3.36; Ro 8.9). O Espírito Santo vem habitar ou fixar residência na vida do crente, por ocasião da regeneração, e ali permanece, seja qual for o grau de imperfeição ou imaturidade desse crente. Assim Ele possibilita o crescimento da nova vida iniciada. Ele gera a certeza de salvação (Ro 8.16; 2Co 1.22; Ef 1.14). O Espírito não só testemunha aos crentes da filiação atual, mas dá garantia de salvação final. A presença do Espírito em nossos corações proporciona um antegozo do céu e é uma garantia de que receberemos a herança incorruptível e impoluta, que não fenece, reservada no céu (1Pe 1.4,5). Ele sela os seus (Ef 1.1-14; 4.30). Ele sela divinamente o pecador, no momento em que crê, tornando-o então propriedade sua, e dando a garantia da herança eterna. Ele liberta (Jo 8.32,36; Ro 7.9-24, 8.2). Ele liberta o homem, da lei do pecado e da morte. É obra dele livrar-nos do domínio desta lei, e capacitar-nos a andar em harmonia com Deus. Ele fortalece (Ef 3.16-19). Os resultados desse fortalecimento são claramente vistos. O seu poder se torna operante em nossas vidas corporificando e entronizando realmente Cristo, o que é descrito como sua habitação em nossos corações. Ele enche o crente (Ef 5.18-20). Ser cheio do Espírito, não é limitado a uma única experiência, mas pode ser repetida incontáveis vezes.
SINÓPSE DO TÓPICO (1)
A doutrina do Espírito Santo está presente no Antigo e no Novo Testamento.

II. A ASEIDADE DO ESPÍRITO SANTO
Uma das razões porque se atribui personalidade ao Espírito Santo é o fato de que a Bíblia lhe concede certos nomes. Um dos Seus grandes títulos é o CONSOLADOR (Jo 14.16,26; 16.7-13). Consolador significa “alguém chamado para estar ao lado”, indicando o ministério confortador do Espírito Santo. A palavra grega “Paracleto” significa: para = ao lado, e kaleo = chamar ou pedir. O espírito Santo hoje é o nosso Paracleto e Consolador. As Escrituras ensinam enfaticamente a Divindade do Espírito Santo. Isto se entende que Ele é Um com Deus, fazendo parte da Divindade, sendo co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai e com o Filho. As Escrituras não apenas revelam o Espírito Santo como uma Pessoa, mas também atesta a sua divindade, quando afirma que Ele é Deus. O incidente da tentativa do logro praticada por Ananias e Safira em Atos 5 serve para ilustrar a divindade do Espírito Santo. Pedro acusou Ananias de ter mentido ao Espírito Santo (v. 3). No versículo seguinte Pedro disse: “mentiste a Deus”.
1. A aseidade do Espírito Santo.
2. Atributos incomunicáveis do Espírito Santo. Outra prova da divindade do Espírito encontra-se nas qualidades divinas atribuídas a Ele: Eternidade—Hb 9:14; Onipresença — Sl.139:7-10; Onipotência - Lc 1:35; Rm 15:18-19; Onisciência — I Co 2:10; Jo 14:26, 16:13; Amor—Rm 15:30; Verdade—Jo 16:13; Soberania—I Co 2:11. No Seu próprio nome “Espírito Santo”, vemos a santidade. Somente Deus possui estas qualidades. Notemos também o poder criativo do Espírito Santo: na criação do mundo o Espírito trouxe a vida — Gn 1:2; Jó 26:13; 33:4; Sl 104:30.4.
a. Onipresença. Isto é, Ele está presente em todos os lugares a um só tempo.
b. Onisciência. Ele sabe todas as coisas. Ele conhece, não somente nosso procedimento, mas também nossos próprios pensamentos.
c. Onipotência. Isto é, Ele é Todo-Poderoso e detém autoridade sobre todas as coisas e sobre todas as criaturas.
SINÓPSE DO TÓPICO (2)
Assim como o Pai e o Filho, o Espírito Santo é autoesxistente. Os seus atributos incomunicáveis confirmam sua aseidade.

III. A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO
Muitas pessoas pensam que o Espírito Santo é uma mera força intocável, ou apenas uma misteriosa influência que ninguém define. Essa opinião está bem longe da verdade, pois o Espírito Santo é uma pessoa, a Terceira Pessoa da Trindade (Jo 14.1,9,17; Mt 3.13-17). Ter personalidade implica na qualidade ou fato de ser uma pessoa. Quanto ao Espírito Santo, isto é um fato descrito na Bíblia, tanto quanto a personalidade do Pai e do Filho. As igrejas primitivas o conheciam como uma pessoa Divina, que poderia ser seguida (At 13.2), e com quem poderiam ter comunhão (2Co 13.13; 1Jo 5.7). Pode se dizer que a personalidade existe quando se encontram em uma única combinação, inteligência, emoção e volição, ou ainda, auto-consciência e auto-determinação. Quando um ser possui atributos, propriedades e qualidades de personalidade, então esta se pode atribuir a esse ser inquestionavelmente. Características pessoais são atribuídas ao Espírito Santo. Por características não nos referimos a mãos, pés ou olhos, pois essas coisas denotam corporeidade, mas, antes, qualidades como: conhecimento, sentimento e vontade, que indicam personalidade. Uma forma corpórea não se faz necessário para que haja personalidade. Entretanto, encontramos os três seguintes atributos numa personalidade:
1. O Espírito Santo tem personalidade.
a.Intelecto — habilidade para pensar (Rm 8 27; I Co 2:10,11 13; 12:8).
b.Sensibilidade — habilidade para sentir (Is 63.10, Rm 15.30; Ef. 4.30).
c.Volição — habilidade para escolher (At 16.6-11; 1Co 12.11).
2. O Espírito Santo tem emoções. Sensibilidade — habilidade para sentir (Is 63.10, Rm 15.30; Ef. 4.30). Habitando no ‘homem interior’ (Ef 3.16), se Ele está triste, o crente será o primeiro a saber. Ele pode sentir intensa mágoa ou tristeza, assim como o próprio Jesus sentia quando chorou por causa de Jerusalém, e em outras ocasiões (Mt 23.37; Mc 3.5; Lc 19.41; Jo 11.35).
3. O Espírito Santo tem vontade. Volição — habilidade para escolher (At 16.6-11; 1Co 12.11). Vontade é a capacidade de fazer escolhas e tomar decisões. O Espírito Santo tem vontade própria. Isto está evidenciado em suas atitudes, tanto no Antigo como no Novo Testamento:
a) No repartir os dons liberalmente (1Co 12.11): “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas cousas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.”;
b) No permitir ou impedir (At 16.7): O Espírito tem a direção da vida do crente. Todo aquele que é guiado por Ele deve estar pronto para fazer a sua vontade. Ele pode permitir, assim como impedir, aquilo que desejamos fazer;
c) No convidar (Ap 22.17) Quando alguém realiza uma festa, convida a quem quer para participar. O Espírito convida o homem para aceitar Jesus, que disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, Mt 11: 28, e
d) No orientar (At 13.2) Quando há oração e consagração em busca da vontade de Deus, o Espírito Santo orienta.
SINÓPSE DO TÓPICO (3)
As ações do Espírito Santo evidenciam que Ele é uma pessoa, a Terceira da Santíssima Trindade.

Conclusão
   O Ensino sobre o Espírito Santo, é imprescindível para os dias em que vivemos. Escola Bíblica é sobretudo defesa da fé ( grifo meu), e como nunca, os nossos alunos precisam passar a ter o sabor na busca do saber.  A Escola bíblica continua sendo a maior fonte da defesa da fé daqueles que se debruçam em busca desse conhecimento. Assim sendo só defende a sua fé aquele está constantemente na busca desse entendimento.



Fraternalmente em Cristo Pb. Efigênio   

lição adptada
EBDWEB

sábado, 26 de março de 2011

ORAÇÃO VITORIOSA

 

Oração Vitoriosa 

Oração vitoriosa é aquela que consegue resultados. Fazer orações é uma cousa, vencer pela oração é outra. A vitória pela oração depende não tanto da quantidade, como da qualidade. A melhor introdução que tenho para este assunto é um fato da minha experiência anterior à minha conversão. Relato-o porque temo que tais experiências sejam muito comuns entre incrédulos.
Ao que me lembro, eu nunca assistira a uma reunião de oração antes de começar o curso de direito. Então, pela primeira vez, passei a morar nas proximidades de um local onde havia reunião de oração todas as semanas. Eu não tinha muita oportunidade para conhecer, ver ou ouvir religião; por isso não tinha opinião formada a respeito. Em parte por curiosidade e em parte por certo desassossego de espírito, dificil de definir, comecei a freqüentar a tal reunião de oração. Nesse mesmo tempo comprei minha primeira Bíblia e comecei a Iê-la. Escutava as orações que eram feitas naquelas reuniões, com a máxima atenção que eu poderia prestar a orações tão frias e formais. Cada um pedia o dom e o derramamento do Espírito Santo. Tanto nas orações como nos comentários que de vez em quando faziam, confessavam que não conseguiam ser atendidos por Deus. Isso aliás, era patente, e por pouco que não fez de mim um cético.
Vendo-me com tanta freqüência na reunião, o dirigente, certo dia, perguntou-me se eu não desejava que orassem por mim. Respondi que não, acrescentando: "Com certeza eu preciso de oração, mas as suas orações não são atendidas. Os senhores mesmos o confessam." Manifestei então o meu espanto com esse estado de cousas, em vista do que a Bíblia diz das vitórias da oração. De fato, durante algum tempo fiquei grandemente perplexo e em dúvida diante dos ensinos de Cristo sobre a oração, em confronto com aqui|o que eu presenciava, semana após semana, na reunião de oração. Seria Cristo realmente um ensinador divino? Teria ele de fato ensinado o que os Evangelhos Ihe atribuíam? Devia ser tomado ao pé da letra? Seria verdade que a oração tinha valor para conseguir bénçãos da parte de Deus? Se era verdade, como explicar isto que eu presenciava semana após semana e mês após mês nessa reunião de oração? Esses homens seriam crentes de fato? O que eu ali ouvia, seria realmente oração, no sentido bíblico? Seria a oração que Cristo tinha prometido atender? Aí encontrei a solução.
Convenci-me de que eles estavam iludidos; que não obtinham vitórias porque não tinham nenhum direito a isso, pois não atendiam às condições que Deus determinou para que ele ouvisse a oração. Ao contrário, as oraçães deles eram justamente as do tipo que Deus prometera não atender. Evidentemente não percebiam que estavam correndo perigo de ir orando daquele modo até caírem no ceticismo quanto ao valor da oração.
Lendo a Bíblia, observei as seguintes condições estabelecidas:
1. Fé que Deus atende à oração. Isso, evidentemente, importa na esperança de recebermos aquilo que pedimos.
2. Pedir de acordo com a vontade de Deus. Isso claramente implica em pedir-lhe só as cousas que Deus está pronto a conceder, mas também pedir-lhe num espírito que ele possa aceitar. Temo que seja comum crentes deixarem de levar em conta o estado de espírito que Deus exige deles como condição para atender às suas orações.
Por exemplo, no Pai Nosso, o pedido: "Venha o Teu reino" requer, evidentemente, sinceridade para que tenha valor para Deus. Mas a sinceridade na apresentação desse pedido implica na consagração integral do coração e da vida de quem pede, para a consolidação desse reino. Implica em dedicar, a esse fim, tudo quanto temos e tudo quanto somos. Proferir essa petição em qualquer outro estado de espírito é hipocrisia e abominação diante de Deus.
Assim na petição seguinte: "Seja feita a tua vontade na terra como no céu", Deus não promete atender o pedido a não ser que seja feita sinceramente. Mas sinceramente importa num estado de espírito que aceite toda a vontade de Deus, até onde a entendemos, da mesma forma que é aceita no céu. Importa na obediência total, inspirada no amor e na confiança, a toda a vontade de Deus, quer seja essa vontade revelada na sua Palavra, pelo seu Espírito ou na sua providência. Significa que nos mantemos, a nós mesmos e a tudo que somos e possuímos, à disposição de Deus de forma tão absoluta e voluntária, quanto o fazem os habitantes do céu. Se ficamos aquém disso, retendo para nós o que quer que seja, estamos "contemplando a iniqüidade no coração", e Deus não nos ouvirá.
A sinceridade nessa petição significa um estado de absoluta e total consagração a Deus. Qualquer atitude que fique aquém dessa, importa em reter de Deus aquilo que lhe é devido. É "desviar os ouvidos de ouvir a lei". Mas que dizem as Escrituras? "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável." Será que entendem isso os que professam a fé?
O que é verdade com referência a essas duas petiçóes, também o é no que se refere a toda oração. Será que os crentes levam isso na devida consideração? Lembram-se de que tudo que se apresenta como oração é abominável se não for feito no estado de consagração inteira de quanto somos e temos a Deus? Se na oração e com ela, não nos oferecemos, com tudo quanto temos: se o nosso estado de espírito não é de quem aceita de coração toda a vontade de Deus, executando-a perfeitamente até onde a conhecemos, entao nossa oração é abominável. Que profanação terrível é o uso que freqüentemente se faz do Pai Nosso, tanto em público como em particular. Repetir como um papagaio "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, na terra como no céu", enquanto a vida está Ionge de se conformar com a vontade de Deus, é simplesmente revoltante. Ouvir os homens orarem: "Venha teu reino", enquanto está mais do que evidente que estao fazendo pouco ou nenhum sacrifício ou esforqo para promoverem esse reino, é uma refinada hipocrisia. Aí não há nada de oração vitoriosa.
3. A ausência do interesse egoista é uma condição da oração vitoriosa: "Pedis. e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (Tg 4.3).
4. Outra condição da oração vitoriosa é a consciência pura diante de Deus e dos homens. I João 3.20-22: "Se o nosso coração (nossa consciência) nos acusar, certamente Deus é maior do que o nosso coração, e conhece todas as cousas. Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus, e aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável." Aqui se tornam claras duas condições: primeira, que para sermos aceitos por Deus temos de conservar pura a consciência: e, segunda, que devemos guardar seus mandamentos e fazer diante dele o que Ihe é agradável.
5. Coração puro é condição da oração vitoriosa. Sl 66.18: "Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá".
6. Toda a confissão e restituição devidas a Deus e aos homens é outra condição da oração vitoriosa. Pv 28.13: "0 que encobre as suas transgressões, jamais prosperará: mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia".
7. Outra condição: mãos limpas. SI 26.6: "Lavo as mãos na inocência, e, assim, andarei, Senhor, ao redor do teu altar". I Tm 2.8: "Quero que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem contenda".
8. A solução das contendas e animosidades entre irmãos é uma condição. Mt 5.23,24: "Se, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta".
9. A humildade é outra condição da oração vitoriosa. Tg 4.6: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graçã aos humildes".
10. A remoção dos tropeços é ainda outra condição. Ez 14.3: "Filho do homem, estes homens levantaram os seus idolos nos seus corações, e o tropeço da sua iniqüidade puseram diante da sua face; devo eu de alguma maneira ser interrogado por eles?"
11. O espírito de perdoar também é condição. Mt 6.12: "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como temos perdoado aos nossos devedores"; Mt 6.15: "Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas".
12. Exercitar o espírito da verdade é outra condição. SI 51.6: "Eis que te comprazes na verdade no íntimo". Se o nosso coração não estiver no espírito de acato à verdade; se não for imediatamente sincero e isento de egoísmo, estaremos "atendendo à iniqüidade no coração" e, portanto, o Senhor não nos ouvirá.
13. Orar em nome de Cristo é condição da oração vitoriosa.
14. A inspiração do Espírito Santo é outra condição. Toda oração verdadeiramente vitoriosa é inspirada pelo Espírito Santo. Rm 8.26,27; "Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aque|e que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos". Esse é o verdadeiro espírito da oração: ser guiado pelo Espírito. É a única oração realmente vitoriosa. Será que realmente entendem isso os que se dizem crentes? Será que acreditam que, se não viverem e andarem no Espírito, se não aprenderem a orar pela intercessão do Espírito que está neles, não poderão ser vitoriosos com Deus?
15. O fervor é condição. Uma oração, para ser vitoriosa, tem de ser fervorosa. Tg 5.16: "Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a oração fervorosa de um justo."
16. A perseverança ou persistência na oração muitas vezes é uma condição de vitória. Vejam-se os casos de Jacó, de Daniel, de Elias, da siro fenícia, do juíz iníquo, e o ensino da Bíblia de modo geral.
17. Muitas vezes a angústia de espírito é condição da oração vitoriosa. "Desde as primeiras dores Sião deu à luz seus filhos". "Meus filhos", diz Paulo, "por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós". Isso dá a entender que, antes que se convertessem, Paulo já tinha sofrido angústia de espírito. De fato, a angústia da alma na oração é a única verdadeira oração vivificadora. Se alguém não a conhecer, não compeende o espírito da oração. Não se acha em estado de avivamento. Não entende a passagem já citada -- Rm 8.26,27. Enquanto ele não compreender essa oração angustiosa, não conhecerá o verdadeiro segredo do poder vivificador.
18. Outra condição da oração vitoriosa é o justo emprego dos meios para chegar ao objetivo, se os meios estiverem ao nosso alcance e se os reconhecermos necessários. Orar pelo reavivamento religioso e deixar de empregar qualquer outro meio, é tentar a Deus. Esse, conforme pude ver claramente, era o caso daqueles que faziam orações na reunião a que já me referi. Continuaram fazendo oração pelo avivamento, porém fora da reunião eram silenciosos como a morte no tocante ao assunto e nem abriam a boca para as pessoas ao redor. Continuaram nessa incoerência até o dia em que um descrente de destaque na comunidade lançou-lhes na minha presença uma tremenda repreensão. Ele expressou aquilo que eu sentia profundamente. Levantou-se e. com a maior solenidade e com lágrimas, disse: "Povo crente, que é que vocês querem dizer? Oram sempre, nestas reuniões, pedindo um reavivamento. Muitas vezes exortam uns aos outros a que despertem e usem meios para promover um avivamento. Afirmam uns aos outros, e também a nós que somos descrentes, que estamos caminhando para o inferno; e acredito que seja verdade. Insistem também em dizer que, se vocês mesmos despertassem, usando os meios apropriados, haveria um avivamento, e nos converteríamos. Falam-nos do nosso grande amigo, e de que nossas almas valem mais do que todos os mundos; entretanto. prosseguem nas suas ocupações relativamente triviais e não lançam mão desses meios. Não temos avivamento e nossas almas não são salvas." Nessa altura não teve mais palavras: sentou-se, soluçando.
Nunca me esquecerei como a reprimenda calou profundamente naquela reunião de oração. Fez-lhes bem, pois não demorou que as pessoas ali presentes se prostrassem, e tivemos um reavivamento. Estive presente na primeira reunião em que se manifestou o espírito de avivamento. E que transformação se verificou no tom das suas oracõs, confissões e súplicas! Voltando para casa com um amigo, comentei: "Que mudança nesses crentes! Isso deve ser o início de um reavivamento." Realmente, há uma transformação em todas as reuniões sempre que os crentes são reavivados. Suas confissões adquirem significado: significam reforma e restituição; significam trabalho, o uso dos meios, mãos, bolsos, e coração abertos, e a consagração de todos os seus recursos à promoção da obra.
19. A oração vitoriosa é especifica. Visa um objetivo definido. Não podemos obter vitória para tudo de uma só vez. Nos casos registrados na Bíblia, em que a oração foi atendida, é notável que o suplicante pedia uma bênção definida.
20. Outra condição da oração vitoriosa é que nossa intenção seja idêntica àquilo que dizemos na oração: que não haja nenhuma simulação; em resumo, que sejamos sinceros como crianças, falando do coração, nem mais nem menos do que aquilo que queremos dizer, que sentimos e cremos.
21. Outra condição da oração vitoriosa é um estado de espírito que presume a fidelidade de Deus a todas as suas prornessas.
22. Mais uma condição é que, além de "orar no Espírito Santo", "sejamos sóbrios e vigiemos em oração". Com isso me refiro à vigilância contra tudo quanto possa apagar ou entristecer o Espírito de Deus em nosso coração. Também me refiro à vigilância pela resposta, em estado de espírito que usará diligentemente todos os meios necessários, a qualquer custo, com instância sobre instância.
Quando estiver bem lavrado o terreno pousio no coração dos crentes e quando tiverem confessado e feito restituição -- desde que o trabalho seja completo e honesto -- cumprirão natural e inevitavelmente as condições, e obterão a vitória na oração. O que precisa ser muito bem cornpreendido, é que os demais não a obterão. Aquilo que comumente ouvimos em reuniões de oração e de conferência não é oração vitoriosa. É muitas vezes de estarrecer e de se lastimar, ver as ilusões que existem sobre o assunto. Quern já assistiu a reavivamentos legítimos e não se impressionou com a transformação de todo o espírito e caráter das orações dos crentes realmente avivados? Creio que nunca me poderia ter convertido, se não tivesse descoberto a solução do problema: "Por que tantas orações não obtêm resposta?"
Fonte: Um Vida Cheia do Espírito. ( Charles Finney)

quarta-feira, 23 de março de 2011

3º ENCONTRO DE SENHORES EM VIÇOSA ALAGOAS



    A ASSEMBLEIA  DE DEUS EM VIÇOSA ALAGOAS, NA DIREÇÃO DO PASTOR DONIZETE INÁCIO DE MELO, ESTARÁ REALIZANDO O 3º ENCONTRO DE SENHORES
DIAS 21, 22 E 23 DE ABRIL.
      ORE, DIVULGUE E PARTICIPE!!!!

terça-feira, 22 de março de 2011

13ª Lição: PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA


TEXTO AUREO = “E, na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testifica em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” At 23: 11.
VERDADE PRÁTICA = A principal e a mais urgente missão da Igreja é a evangelização de todos os povos e nações.
Paulo Testifica Diante dos Poderosos = Atos 25.13-26.32
Introdução
O Senhor descreve sua comissão a Paulo (At 9.15). Até este trecho de Atos, o apóstolo Paulo já havia pregado muito aos gentios e judeus. “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel”. Agora, nestes capítulos, descreve-se como ele teve a oportunidade de falar a governadores e reis.
Paulo e Félix (At 24)
Paulo, ao chegar em Cesaréia, foi levado diante do governador Félix. Este ordenou que fosse guardado sob custódia até à chegada de seus acusadores. Poucos dias mais tarde, algumas autoridades religiosas dos judeus vieram de Jerusalém a Cesaréia.
Estavam acompanhadas por um advogado romano chamado Tértulo. Fizeram três acusações contra Paulo:
Sedição - levantar o povo contra o governo.
Heresia - causar divisões religiosas mediante a pregação de falsas doutrinas.
Sacrilégio - a profanação do Templo.
Os líderes judaicos vieram com seu advogado. Paulo também tinha Advogado (Mc 13.11) - um dos significados de Consolador e Exortador é também Advogado. Em poucos momentos, as acusações foram reduzidas a nada. Félix, que sabia alguma coisa sobre o Cristianismo, adiou indefinidamente a audiência seguinte.
A curiosidade de Félix foi despertada por aquele estranho prisioneiro. Tanto que o governador pediu uma apresentação particular da sua mensagem. E então foram invertidas as posições! Antes, tratava-se de Paulo diante de Félix. Agora, era Félix diante de Paulo! O libertino, espavorido, mandou Paulo retirar-se até uma ocasião mais conveniente. Destes dois homens, quem era realmente prisioneiro? Quem estava realmente livre?
Félix, esperançoso de receber dinheiro para declarar o prisioneiro inocente, mandou chamar Paulo muitas vezes. Este nada tinha que ver com aquele aspecto do assunto, e continuou na prisão. O período de Félix como governador terminou. Então, ele preparou seu relatório para o governo central em Roma. Como político, desejava obter apoio popular. Por este motivo deixou Paulo no cárcere, evitando que os judeus se queixassem de sua pessoa. Na realidade, Deus permitiu que Paulo ficasse na prisão. Assim preservaria sua vida, e o encaminharia a Roma.
Paulo e Festo (At 25)
Festo, o novo governador, desejava obter a boa-vontade dos judeus. Com este objetivo, perguntou se Paulo desejava ser processado diante do concílio em Jerusalém. Conhecendo a futilidade e o perigo de tal procedimento, Paulo, o
cidadão romano, apelou a César, ou seja, ao direito de ser processado em Roma diante do próprio imperador. “Apelaste para César? para César irás”. E assim estava para se cumprir o decreto divino de que Paulo seria testemunha em Roma (At 23.11). Apesar das ciladas dos judeus e da covardia moral dos governadores romanos, o caminho estava aberto para Roma.
Não há beco sem saída no caminho do cristão. Surgiu, nesta conjuntura, um problema para Festo. Paulo apelara à Corte Suprema em Roma, mas qual seria a acusação contra ele? (v. 27). Os judeus sugeriam crimes de sedição e tumulto. Mas, na verdade, o problema girava em torno das crenças religiosas dos judeus, que nada tinham a ver com a justiça civil. Herodes Agripa, príncipe judeu, ao qual os romanos permitiram que usasse o título de rei (sem soberania independente), de uma pequena região no Norte da Palestina, estava visitando a capital administrativa. Para este homem, conhecedor da religião judaica, Festo apresentou o estranho caso.

Paulo e Agripa (At 26)

No dia seguinte, Paulo foi ouvido diante de Agripa. A reunião contava com a presença de autoridades romanas e a aristocracia judaica da região. Agripa não tinha autoridade sobre Paulo, que ia ser encaminhado a Roma. Mesmo assim, houve muita pompa na reunião. Isto porque Festo sabia como os reizinhos, que deviam seus títulos a Roma, gostavam de cerimônia. Estando tudo pronto, disse o rei a Paulo: “Permite-se-te que te defendas”. Paulo revelou sua personalidade neste encontro. Não se impressionou com a falsa pompa de um rei sem autoridade. Porém, não desprezou a ocasião de defender o Evangelho. Quanto à sua segurança, não procurou agradar para receber favores na sua difícil posição de prisioneiro. Falou com seriedade e sinceridade, pleiteando os direitos de Cristo.
As armas dos soldados romanos não o amedrontavam.
Sua consciência estava tranqüila, e sua vida, “oculta com Cristo em Deus”, fora do alcance dos homens.
“Então Paulo, estendendo a mão [o gesto do orador que está com a palavra] em sua defesa, respondeu: Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus”. Paulo estava feliz, apesar das correntes e prisões. Estava feliz, não pelo privilégio de falar a um rei, mas porque este era considerado “especialista” em assuntos religiosos dos judeus.
E, era de se esperar, teria ponderação em escutar e examinar a questão da fé cristã.
1. Sua vida antes da sua conversão. (Vv. 4-1 1).
Paulo, desejava ser “cem por cento” dedicado a Deus. Por isso foi iniciado na fraternidade dos fariseus (eles tinham graus dentro da fraternidade e cerimônias de iniciação). Se a salvação pudesse ser merecida pela observância de leis e tradições, Paulo teria passado em todos os exames. Em resposta à dúvida que devia ter surgido na mente do rei:
“Por que, então, caiu até ao ponto de ser perseguido como herege?” Paulo continua: “E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado.
A qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia”. Paulo, longe de se ter desviado da fidelidade religiosa, estava dentro do plano de Deus. Dentro da promessa que deu origem ao povo de Deus: “E em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Nesta promessa estava incluída a vinda do Messias, a “bendita esperança”, considerada a Promessa pelos escritores do Novo Testamento (At 13.23,32,33; Gl 3.14).
Jesus veio cumprir esta- promessa demonstrando que Deus é justo, cumprindo o que promete (Rm 15.8). Deus comprovou que seu Filho é o Messias, erguendo-o dentre os mortos (At 13.33).
Paulo ressaltou quão milagrosa foi a sua repentina conversão. Para isso, descreveu em detalhes, a fúria assassina com que perseguia os seguidores de Jesus. Jogava-os na prisão e procurava forçá-los a blasfemar o nome de Jesus. A cada oportunidade, votava em prol da pena de morte para eles. Em grande fúria, este homem, considerado profundamente “religioso”, exigia uma campanha nacional para extirpar os cristãos. A lição que podemos tirar desta parte da vida de Paulo é que a consciência humana não é infalível. E a sinceridade não é suficiente por si só.

2. Sua experiência de conversão. Vv. 12-18.

Naturalmente, a pergunta na mente de Agripa seria: “Então, como foi tão radicalmente mudada a sua vida?” Paulo, então, descreve sua experiência na estrada de Damasco, que transformou o lobo em ovelha.
3. Seu testemunho depois da conversão. (Vv. 19-23). “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”. Agripa precisava entender que, quando Deus fala, o homem não tem outro caminho senão obedecer. Nem todas as visões são celestiais, mas toda visão que é realmente da parte de Deus deve ser obedecida. Esta obediência de Paulo, resumida no v. 20, incluía uma tremenda quantidade de serviço e abnegação. E num círculo sempre maior de atuação: Damasco, Jerusalém, Judéia e o mundo gentio (logo chegaria a Roma). Será que nós, hoje, estamos fazendo mais para Deus do que quando nos convertemos? O conteúdo resumido da pregação de Paulo era: arrependimento, conversão, prática de obras dignas - um plano excelente para todo pecador seguir. Qual foi o agradecimento que o mundo deu a Paulo por ter obedecido à visão celestial?
Vejamos o v. 21 e não fiquemos abalados se o mundo odiar a nós também! Como Paulo agüentava tudo isso? “Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço”. Deus nos dá poder a fim de perseverarmos na vida cristã. A mensagem que Paulo anunciava era para todos, “tanto a pequeno como a grande”. E, como explica no v. 22, não era novidade para atrair. Porém, uma religião sólida, firmemente baseada em todas as promessas de Deus no Antigo Testamento. E, também, na própria pessoa de Jesus Cristo, cumprimento total do plano de Deus.

4. O efeito do testemunho de Paulo sobre Festo.
A esta altura, Paulo já estava falando com inflamado entusiasmo. Para o oficial romano de mentalidade prática e que levava uma vida muito afastada da religião, um discurso público que falava de visões, revelações e ressurreições era demais. Interrompeu, dizendo: “Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar”. Ver 1 Coríntios 1.18. A eloqüência de Paulo foi interrompida, mas não a sua firme confiança, nem sua cortesia. Com dignidade respondeu: “Não estou louco, ó excelentíssimo Festo; pelo contrário digo palavras de verdade e de bom senso”.
Houve, por certo, algo na maneira de Agripa que revelou que estava muito impressionado, e Paulo se dirigiu mais diretamente a ele: “Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas cousas lhe é oculta; porquanto nada se passou aí, nalgum recanto”. A origem de muitas religiões pagãs se perde nas brumas das lendas e superstições. O Cristianismo, no entanto, é baseado em eventos históricos registrados por testemunhas oculares.

5. O efeito do testemunho de Paulo sobre Agripa.

Paulo não esperava muita compreensão do oficial romano, mas Agripa era diferente. Concluindo o seu argumento, perguntou: “Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês”. E Agripa respondeu: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” Houve, por certo, grande dose de convicção nestas palavras, despertada pelo zelo e fé do apóstolo. Pode, no entanto, ter sido um pouco de cortesia, para encerrar o assunto e parar o discurso de Paulo. Ou um pouco de ironia, também. Seja como for, Paulo continuou com sinceridade, zelo e cortesia: “Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias”. Havia um belo espfrito de perdão nestas palavras. Nada de ressentimento contra judeus ou romanos. Paulo queria repartir sua fé, não as perseguições.
Considerando todos os romanos e judeus presentes, percebemos que o homem acorrentado era a alma mais nobre entre eles! Aqueles que andam segundo o Espfrito de Jesus são a verdadeira aristocracia desta terra.
Ensinamentos Práticos
1. O prisioneiro feliz. Paulo, depois de passar por muitos sofrimentos, agora era um prisioneiro que dia e noite ficava acorrentado a um soldado. Seria levado a Roma para aguardar julgamento e isto poderia significar muitos meses - ou até anos - de espera e suspense. Mesmo assim, disse: “Tenho-me por venturoso”.
Realmente, era o homem mais feliz da reunião. Certamente não gostaria de trocar de lugar com o mais ilustre de todos os presentes. Afinal, era embaixador do Rei dos reis. Se alguém tivesse mencionado suas tribulações, teria respondido: “Gloriemo-nos em nossas tribulações”. Será que, ao passamos por circunstâncias desagradáveis, temos suficiente graça da parte de Cristo para dizer:
“Tenho-me por venturoso”?
2. O erro de um homem bom.
Como um homem tão religioso como Saulo de Tarso pode chegar a ser um cruel perseguidor dos cristãos? “Bem tinha eu imaginado que…” (v. 9). Noutras palavras, tinha as melhores intenções quanto a servir a Deus. Todavia, suas ações foram inspiradas por seu próprio parecer e não pelo Espírito de Deus. Muitas desavenças em nossa família, igreja e em nosso próprio íntimo surgem por agirmos segundo o que imaginamos correto. Paulo abandonou seu erro. Estamos dispostos a fazer o mesmo?

3. Consolação para os intimidados.
“… os obriguei a blasfemar”. Este era um método comum dos perseguidores. Durante as perseguições do Império Romano, a vida e liberdade eram oferecidas sob a condição de blasfemarem contra o nome de Cristo. O mundo moderno, mesmo nos países chamados cristãos, faz uma pressão enorme e incessante para que desonremos o nome de Jesus. Nos lares, empregos, escolas, coletivos e noticiários a tendência é blasfemar contra o nome do Senhor. E, também, procuram formar um ambiente para levar os cristãos a fazerem o mesmo. Os que se sentem oprimidos por algum companheiro, parente ou chefe devem renovar o ânimo: o mesmo Deus que alcançou Paulo pode transformar outros lobos em cordeiros! A estrada de Damasco, local da milagrosa conversão de Paulo, é uma realidade espiritual neste mundo moderno. E as conversões continuam quando menos se espera.

4. O homem com a experiência crescente.
Paulo foi constituído ministro e testemunha do que Cristo lhe revelou. Tanto na ocasião da sua conversão como o que ainda lhe revelava (26.16). A experiência de Paulo na estrada de Damasco foi um milagroso começo para sua vida cristã. Mas não foi o ponto final. Mais revelações foram-se seguindo. Paulo foi um homem de experiências e testemunhos crescentes.
O Senhor nunca muda. Ele não tem necessidade de crescer. Somos nós quem devemos crescer no conhecimento dEle. Jó, passadas as aflições e com tudo restaurado, talvez pensasse ter recebido um Deus mais gracioso, mais poderoso. Na realidade, porém, tratava-se apenas de uma revelação mais profunda sobre o mesmo Deus eterno. É bom dar testemunho daquilo que Deus nos fez. Ao mesmo tempo, devemos ter o coração aberto para receber mais e mais da parte dEle.
Assim, sempre teremos novas bênçãos a contar.
5. Os escravos de Satanás.
Paulo testemunhava para converter os pagãos “do poder de Satanás a Deus”. Muitos pensadores modernos negam a existência de Satanás. No entanto, a negativa não tem reduzido o efeito de sua operação no mundo. Pelo contrário, as operações malignas têm- se multiplicado, enquanto muitos cristãos dormem espiritualmente. Não reconhecem que estão numa guerra contra as trevas, a qual exige oração, santificação e fé.
As verdadeiras forças deste mundo, sejam boas ou más, são espirituais. A luta real, em última análise, é “contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
Multidões jazem na potestade de Satanás. Nossa tarefa é vestir-nos de toda a armadura de Deus e trazê-las para dentro da verdade que liberta, “orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica” (Ef 6.18).
6. Fidelidade à visão. Talvez você não tenha recebido uma visão celestial visível. Na sua conversão, porém, ganhou uma visão espiritual da vida e serviço que Deus requer de você. Uma boa pergunta para fazer diariamente a si próprio é: “Estou sendo obediente à visão celestial?” Por mais que já tenha percorrido o caminho cristão, a reconsagração é sempre valiosa: “Arrepende-te, e pratica as primeiras obras” (Ap 2.5).

7. Santa loucura.
“Estás louco, Paulo”. Certa menina, com uma deformidade, era forçada a curvar-se para um lado ao andar. Depois de uma série de operações, fez seu primeiro passeio normal. Ao começar a andar, gritou aflita:
“Mamãe, estou toda torta!” Andou tanto tempo na anormalidade que o normal lhe parecia errado. A civilização anda na anormalidade espiritual há tanto tempo, que o pregador que leva o Evangelho a sério provoca gritos de: “Fanático! Louco! Exagerado! Anormal!”
Quando o mundo taxa os cristãos de loucos, é bom sinal. Demonstra que o Evangelho está sendo apresentado como algo vivo; desafiando o egoísmo e a complacência do mundo. A fé cristã não pode deixar de ser “louca”, de estar acima das probabilidades e provas do mundo. Se deixar de desprezar a interesseira prudência mundana que procura alvos materialísticos, não será o Cristianismo verdadeiro.

8. A paixão pelas almas.

Agripa esperava ser agradado pelo prisioneiro para obter misericórdia e favores. No entanto, viu-se fortemente exortado a aceitar a Cristo. Paulo não estava preocupado em defender seus próprios interesses diante dos juízes ou da opinião pública. Sua paixão de verdadeiro pregador era ganhar almas para Cristo.
Ninguém pode ser um obreiro cristão legítimo sem essa paixão dominante: “O amor de Cristo nos constrange”.

9. A Palavra de Deus e a experiência pessoal.
Paulo, desejando ganhar Agripa para Cristo, contou sua experiência espiritual e apelou para as Escrituras (v. 27). Precisamos de ambas. Mas em primeiro lugar vem a Palavra de Deus, fundamento da nossa eterna salvação. Nossa experiência pessoal é a confirmação individual da eterna e universal veracidade da Palavra.
De Malta a Roma (28.11-16)
O tempo passado na ilha de Malta foi três meses (11), provavelmente novembro, dezembro e janeiro. Durante esta época, não havia navegação no Mediterrâneo. Plínio, em seu livro Natural History (ii. 47), diz que a navegação começou no dia 7 de fevereiro, com a chegada da primavera. Outro autor romano, Vegécio, declara que os mares estavam fechados de 11 de novembro até 5 de março, e eram perigosos desde 14 de setembro.
E óbvio que havia alguma divergência de opinião sobre a duração exata da estação de navegação. Mas todos concordam que durante novembro, dezembro e janeiro não era seguro aventurar-se no Mediterrâneo. Josefo fala de mensageiros enviados de Roma à Palestina que “foram surpreendidos por uma tempestade e ficaram detidos no mar durante três meses”.
Ao final de três meses em Malta, Lucas diz: partimos — “embarcamos num navio” (NASB) — num navio de Alexandria — outro navio que levava trigo do Egito à Itália, como aquele que tinha naufragado (cf. 27.6) — que invernara na ilha — provavelmente no porto principal de Valetta. O qual tinha por insígnia Castor e Pólux. Estas são somente duas palavras em grego. A primeira é um adjetivo que significa “marcado com um sinal”, aqui usado como um substantivo”, “figura de proa”. A segunda é Dioskouroi, que significa.
“Os irmãos gêmeos”. Assim, uma possível tradução é: “Que tinha os irmãos gêmeos como sua figura de proa” (NASB). A referência é aos dois filhos de Zeus, Castor e Pólux. Estes deuses gêmeos “eram objeto favorito de adoração dos marinheiros, que a eles pediam ajuda em ocasiões de tempestade”.6 Aparentemente, as imagens eram esculpidas de cada lado da proa do navio; Castor de um lado e Pólux do outro.
Aparentemente, o navio partiu de Malta em fevereiro. Ramsay sugere: “Como o outono era normalmente tempestuoso, é provável que o tempo mais agradável tivesse começado mais cedo”.
Evidentemente, um constante vento sul começou a soprar, pois eles navegaram quase que diretamente para o norte até Siracusa — “Há não mais de um dia de viagem de Malta” (cerca de oitenta milhas náuticas). Siracusa (12), na costa leste da Sicília, era o principal porto e a principal cidade daquela ilha.
Ali eles permaneceram durante três dias, supostamente porque o vento favorável tinha cessado.
De Siracusa, eles prosseguiram costeando (13) — “fizeram uma curva” (RSV) ou “deram a volta” (Phillips) — e chegaram a Régio. Esta era uma cidade na extremidade sul da Itália, cerca de onze quilômetros do outro lado do estreito de Messina, na Sicília. Parece que, depois de esperar em vão durante três dias em Siracusa, que o vento sul soprasse novamente, finalmente partiram e tomaram um vento nordeste, fazendo uma viagem mais longa até Régio.
Mas ali foram favorecidos. Soprando, um dia depois — de um atraso adicional
em Régio — um vento do sul, chegamos no segundo dia a Putéoli, “tendo percorrido uma distância de cerca de quase 180 milhas náuticas em menos de dois dias”. Navegando a favor do vento, desfrutavam um tempo excelente. Smith escreve: “Putéoli era então, como é agora, a parte mais abrigada da baía de Nápoles. Era o principal porto do sul da Itália e… um grande empório para os navios de trigo de Alexandria”.
Em Putéoli… achando alguns irmãos (14). Isto foi provavelmente um grande conforto para Paulo, Lucas e Aristarco, que provavelmente não tinham visto outros cristãos em seis meses. O centurião graciosamente permitiu que Paulo passasse uma semana com esses crentes.
Em lugar de nos rogaram — lit., “imploraram” (a palavra também pode significar “confortaram”) — alguns manuscritos apresentam: “Estavam confortados, porque ficamos”.
E depois nos dirigimos a Roma é literalmente “e assim chegamos a Roma” (NASB). O texto parece um pouco estranho, quando comparado a “logo que chegamos a Roma” (16). Ramsay opina que Roma significa todo o distrito em 14, mas a cidade propriamente dita em 16.690 Mas Lake e Cadbury rejeitam esta teoria por causa da expressão de lá (de Roma), no versículo 15. Eles sugerem uma interpretação mais simples e satisfatória:
“Portanto o provável significado é simplesmente: ‘E de Putéoli fomos diretamente a Roma”. E acrescentam: “Depois desta afirmação geral, na qual houtos [depois] enfatiza o cumprimento da profecia, o autor prossegue dando detalhes deste último estágio da viagem”.
Sobre a frase “Logo que chegamos a Roma”, Knowling faz esta pertinente observação: “Existe um tipo de triunfo nas palavras. Como um imperador que lutou e venceu uma batalha naval, Paulo entrou naquela cidade imperial; ele nunca tinha estado mais perto da sua coroa; Roma o recebeu atado è viu-o coroado e proclamado vencedor”.
As palavras e depois nos dirigimos a Roma poderiam ser a base de um sermão sobre “o preço da obediência”, onde poderíamos observar: 1. O panorama (19-21; cf. Rm 1.15); 2. A promessa (23.11); 3. O preço (em Jerusalém, em Cesaréia e no mar). Mas finalmente chegamos a Roma (16). Definitivamente, independentemente dos problemas no caminho, todas as almas obedientes atingem o destino indicado por Deus. Isto se aplica tanto aos objetivos nesta vida como em relação à nossa morada eterna.
A distância entre Putéoli e Roma era de aproximadamente 224 quilômetros, uma jornada razoavelmente longa para aqueles dias. Mas alguns dos irmãos (15) em Roma, tendo sabido da chegada de Paulo à Itália, lhes saíram ao encontro à Praça de Apio, a 69 quilômetros de Roma na antiga via Apia. Outros cristãos juntaram-se ao grupo em Três Vendas, a 53 quilômetros de Roma.
A respeito de encontro — lit., “para um encontro” — Bruce escreve: “Apantesis parece ser um tipo de termo técnico para a recepção oficial de um dignitário recém- chegado por uma delegação que saía da cidade para encontrá-lo e escoltá-lo; portanto, existe um profundo significado no uso desta palavra para descrever a recepção oferecida a Paulo pela igreja romana”.
Paulo, vendo os cristãos que tinham vindo encontrá-lo, deu graças a Deus e tomou ânimo. O apóstolo pode ter imaginado que tipo de recepção ele teria por parte da igreja romana. Se ele tivesse alimentado quaisquer dúvidas ou medos, teriam sido rapidamente dissipados pela calorosa recepção que lhe foi dada. A presença destes crentes amistosos deve ter trazido grande conforto para o apóstolo.
Logo que chegamos a Roma (16) — mais apropriadamente “quando entramos em Roma” (NASB) — o centurião entregou os presos ao general dos exércitos. Provavelmente era o comandante da guarda pretoriana. Como um favor especial para o seu extraordinário prisioneiro, a Paulo se lhe permitiu morar por sua conta, com o soldado que o guardava. Podemos ter certeza de que o centurião tinha recomendações sobre Paulo. A carta que Festo enviou também indicaria que Paulo não era um criminoso perigoso.
O último nós (subentendido aqui) do livro aparece aqui. Lake e Cadbury observam: “O versículo 16 encerra as ‘seções — nós’, e o autor adiciona um parágrafo de conclusão, resumindo os dois anos seguintes, que Paulo passou em Roma”.
Roma, 28.17-31
A Reunião com os Líderes Judeus (28.17-22)
Três dias depois (17) — provavelmente passados em visitas dos cristãos que tinham vindo para vê-lo — Paulo convocou os principais dos judeus.
Cláudio tinha decretado o desterro de todos os judeus de Roma (18.2), mas está claro que muitos tinham retornado, O apóstolo estava dando continuidade, mesmo em Roma, a sua política de ministrar primeiramente aos judeus.
A estes líderes judeus locais, ele disse que embora não tivesse feito nada contra o povo ou contra os ritos paternos, ainda assim acabou sendo… entregue nas mãos dos romanos. Quando examinado por eles, ele poderia ter sido libertado (18), mas quando os judeus pareciam determinados a vê-lo morto, ele tinha apelado a César (19).
Então ele acrescentou: não tendo, contudo, de que acusar a minha nação. O que ele evidentemente quer dizer é que estava completamente na defensiva nos seus julgamentos perante Félix e Festo; ele não trouxe acusações contra aqueles que o tinham acusado. Os judeus ainda eram o seu povo.
Paulo então anunciou a razão pela qual tinha desejado falar com eles: porque pela esperança de Israel estou com esta cadeia (20). Esta era a esperança messiânica e a fé na ressurreição (cf. 23.6; 26.6-8).
Em resposta, os líderes judeus de Roma disseram que eles não tinham recebido nenhuma carta de Jerusalém a respeito dele, nem alguma informação de alguém da Judéia contra ele (21). Isto parece um pouco surpreendente, devido aos dois anos que Paulo passou na prisão em Cesaréia. Bruce fazuma sugestão útil: “A lei romana era severa contra os acusadores malsucedidos; é provável, portanto, que eles tenham abafado o caso”. Os judeus queriam ouvir Paulo falar por si mesmo (22). Tudo o que eles sabiam era que quanto a esta seita (hairesis; cf. 5.17; 15.5; 24.5, 14) notório nos é que em toda parte se fala contra ela.

A Rejeição de Jesus (28.23-29)

Foi definido um dia em que Paulo pudesse explicar a sua posição religiosa (23). No dia indicado, muitos foram ter com ele à pousada, ou “como seus convidados” (NEB). A eles, declarava — “explicava” — com bom testemunho — lit., “confirmava com o seu testemunho” — o Reino de Deus. Ele tinha um conhecimento original do Reino em seu próprio coração. Desde pela manhã até à tarde, Paulo discursou e procurou persuadi-los à fé de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas. Esta deve ter sido uma exposição magnífica, superada apenas por aquela que o próprio Senhor Jesus fez aos discípulos a caminho de Emaús (Lc 24.27).
Como sempre, a resposta foi mesclada: alguns criam — lit., “foram persuadidos” — no que se dizia, mas outros não criam (24). Mesmo na atualidade, o pregador do Evangelho passa pela mesma reação dupla por parte dos seus ouvintes. Maclaren nos lembra que “cada um de nós pertence a uma ou a outra dessas duas classes”, e prossegue: “O mesmo fogo derrete a cera e endurece a argila; a mesma luz é alegria para os olhos sadios e agonia para os enfermos; a mesma palavra tem sabor de vida para a vida, e sabor de morte para a morte; o mesmo Cristo existe para a queda e para a ressurreição dos homens, e é para alguns a fundação segura sobre a qual eles constroem com segurança — mas para outros a pedra sobre a qual eles tropeçam e se machucam, e que, quando cai sobre eles, os reduz a pó”.
Quando os judeus começaram a discutir entre si, Paulo lhes disse esta palavra:
Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías (25). Este é um dos muitos testemunhos que o Novo Testamento dá sobre a inspiração e autoridade divinas do Antigo Testamento. A citação dos versículos 26 e 27 é de Isaías 6.9-10. Paulo já a tinha usado em Romanos 11.8. De maneira semelhante, Jesus aplicou-a aos judeus que o rejeitaram (Mt 13.13- 15; ver BBC, VI, 132-33).
A seguir, Paulo repetiu uma declaração que ele tinha feito, em essência, em duas ocasiões anteriores (cf. 13.46; 18.6). Ele disse: Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão (28). Bruce comenta: “Assim, enquanto o livro de Atos registra a expansão do Evangelho entre os gentios, também registra progressivamente a rejeição dele pela maior parte da nação judaica”. O versículo 29 não está presente nos manuscritos gregos mais antigos. Por essa razão, ele também tem sido omitido por várias versões atuais (ERV, ASV, RSV, NEB, NASB).
Dois Anos em Roma (28.30-3 1)
Por que o livro de Atos termina com a menção de Paulo passando dois anos na prisão em Roma? A dedução mais natural é que ele foi libertado no final dos dois anos inteiros (30). Alguns pensam que ele pode ter sido absolvido. Por exemplo, Ramsay escreve: “O fato de que ele foi absolvido é uma exigência, tanto por parte das evidências em Atos… quanto por outras razões bem fundamentadas e propostas por outros” No entanto, em um artigo posterior, Ramsay adotou a opinião de Lake, fornecida a seguir.
Lake sugere que os acusadores judeus deixaram de aparecer, e assim Paulo foi libertado. Ele especula — não há um conhecimento seguro sobre este ponto — que dois anos pudessem ser o limite legal para manter um prisioneiro à espera de julgamento. Bruce conclui: “Depois de dois anos, o caso provavelmente prescrevia”. De acordo com isto, Winn diz: “Não é improvável que o caso tenha prescrito por falta de acusação”.
Durante estes dois anos, Paulo ficou na sua própria habitação que alugara. Lake e Cadbury preferem a expressão “às suas próprias custas” (cf. RSV, NEB). Eles dizem: “Não existem evidências de que misthoma signifique ‘uma casa alugada’ (AV)”. Paulo recebia todos quantos vinham vê-lo, pregando (30-3 1)— “proclamando” — o Reino de Deus e ensinando as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo. Assim, o seu ministério era uma combinação de pregação e de ensino. Ele fazia isto com toda a liberdade. O substantivo grego parresia é uma palavra interessante (cf. 4. 13,29,31), e significa: “1. Falar abertamente, franqueza, objetividade no falar, que não esconde nada e não ignora nada… 2. ‘Abertura’ algumas vezes leva à abertura ao público, diante de quem ocorre o falar e o agir… 3. Coragem, confiança, ousadia, destemor, especialmente na presença de pessoas de nível elevado”.
Sem impedimento algum é uma única palavra em grego, um advérbio que significa “sem nenhum obstáculo”. Arndt e Gingrich traduziram as duas últimas frases como “bastante abertamente e sem obstáculos”.709 Este foi o triunfo final de Paulo no livro de Atos. Ele tinha se erguido corajosamente diante de Félix, de Festo e de Agripa, testemunhando destemidamente a favor de seu Senhor. Agora, como um prisioneiro romano, ainda pregava o Evangelho eterno.
Ele não tinha a liberdade de sair, mas ministrava a todos aqueles que vinham a ele.
Desta cena final do livro de Atos, dois pontos significativos são sugeridos porAlexander Maclaren: 1. Os caminhos inesperados e nem sempre bem-vindos de Deus para realizar os nossos desejos, e os seus propósitos. Paulo desejou durante um longo tempo pregar em Roma (Rm 15.23), mas ele não teria escolhido esta maneira de ir até lá — como um prisioneiro acorrentado.
“A fúria judaica, os ardis do estado e a permanência da lei romana, dois anos em uma prisão, uma viagem em meio a uma tempestade, um naufrágio, acabaram por conduzi-lo ao seu objetivo tão desejado, por tanto tempo”. 2. A equivocada estimativa de grandeza do mundo. Maclaren escreve: “Quem era o maior homem em Roma naquela época? Não o César, mas o pobre prisioneiro judeu”.
Como o propósito de Lucas era descrever a divulgação do Evangelho, desde Jerusalém até Roma, ele termina com um breve resumo do ministério de Paulo nesta cidade imperial. Não conhecemos o motivo por que ele interrompe o livro aqui. Qualquer resposta seria somente especulação.
Alguns opinam que Lucas pretendia escrever um terceiro volume. Mas isto é duvidoso. Outros opinam que Paulo foi executado. Mas isto não combina facilmente com o silêncio de Lucas a esse respeito. A conclusão mais natural é que Paulo foi libertado e Lucas simplesmente terminou a história.

Paulo Prega Dois Anos em Roma = vv.30,31

Aqui estamos nos despedindo da história do bendito Paulo; e, portanto, visto que Deus achou por bem que nós não soubéssemos nada mais a seu respeito, nós devemos cuidadosamente tomar nota de cada detalhe das circunstâncias nas quais nós devemos aqui deixá-lo. Não pode senão ser um problema para nós que devamos deixá-lo preso por Cristo, mais ainda, que não tenhamos nenhuma expectativa de que ele seja posto em liberdade. Dois anos inteiros da vida desse bom homem são aqui gastos em confinamento e, pelo que parece, ele não foi questionado novamente, todo esse tempo, por aqueles de quem ele era prisioneiro.
Ele apelou para César na esperança de uma rápida libertação de seu aprisionamento, os governadores tendo informado à sua majestade imperial a respeito do prisioneiro de que ele nada fizera que fosse digno de morte ou prisões, ainda assim ele está detido como prisioneiro.
Tão pouca razão nós temos para confiar nos homens, especialmente prisioneiros desprezados em homens importantes; atentem ao caso de José, de quem o copeiro-mor não se lembrou, mas esqueceu (Gn 40.23). Alguns pensam ainda que embora não seja mencionado aqui, foi no primeiro desses dois anos, e bem no início daquele ano, que ele foi pela primeira vez levado diante de Nero, então suas prisões em Cristo foram manifestas na corte de César, como ele diz (Fp 1.13). E nessa primeira defesa foi que ninguém o assistiu (2 Tm 4.16).




Mas parece que ao invés de ser posto em liberdade por essa apelação, como ele esperava, malmente escapou das mãos do imperador com vida; ele chama isso de libertação da boca do leão (2 Tm 4.17), e o fato de ele falar de sua primeira defesa dá a entender que teve uma segunda, na qual se saiu melhor porém ainda não foi liberto.
Durante esse aprisionamento de dois anos, ele escreveu sua epístola aos Gaiatas, depois sua segunda epístola a Timóteo, em seguida aquelas aos Efésios, Fiipenses, Colossenses e a Filemom, nas quais ele menciona varias coisas particularmente relacionadas a seu aprisionamento; e, por último, sua epístola aos Hebreus, pouco depois que ele foi posto em liberdade, como Timóteo também foi, que, vindo visitá-lo, foi de um modo ou outro feito seu co-prisioneiro (com o qual, Paulo escreve aos Hebreus, cap. 13.23, se vier depressa vos verei), mas como ou por quais meios ele obteve a liberdade não nos é dito, apenas que por dois anos foi prisioneiro.
A tradição diz que depois de sua libertação ele foi da Há- lia para a Espanha, de lá para Creta, e então com Timóteo para a Judéia, e de lá foi visitar as igrejas na Asia, e, por fim, foi uma segunda vez a Roma, e ali foi decapitado no último ano de Nero. Mas o próprio Baronius confessa que não há certeza de qualquer coisa a respeito dele entre sua libertação desse aprisionamento e seu martírio; mas é dito por alguns que Nero, quando começou a representar o tirano, tendo se colocado contra os cristãos, e os perseguido (e ele foi o primeiro imperador que promulgou uma lei contra eles, como Tertuliano diz, Apol., cap. 5), a igreja em Roma foi muito enfraquecida pela perseguição, e isso trouxe Paulo uma segunda vez a Roma para restabelecer a igreja ali, e confortar a alma dos discípulos que foram deixados, e assim caiu uma segunda vez nas mãos de Nero.
E Crisóstomo relata que uma jovem que era uma das senhoritas (para falar com elegância) de Nero, ao ser convertida pela pregação de Paulo à fé cristã, e desse modo tirada da forma lasciva de vida em que ela vivia, Nero ficou exaltado contra Paulo por isso, e ordenou primeiro que fosse aprisionado, e em seguida, entregue à morte.
Mas para ficar nesse breve relato dado aqui: 1. E angustiante pensar que um homem útil como Paulo ficasse tanto tempo reprimido. Por dois anos ele foi prisioneiro de Félix (cap. 24.27), e, além de todo o tempo que passou entre isso e a sua vinda a Roma, ele fica aqui mais dois anos como prisioneiro de Nero.
Quantas igrejas Paulo poderia ter plantado, quantas cidades e nações poderia ele ter levado a Cristo nesse período de cinco anos (pois foi no mínimo isso), se ele tivesse estado em liberdade! Mas Deus é sábio, e mostrará que Ele não é devedor dos instrumentos mais úteis que Ele emprega, mas pode e realizará seu próprio interesse, tanto sem seus serviços quanto através dos seus sofrimentos.
Até mesmo as prisões de Paulo contribuíram para maior proveito do evangelho (Fp 1.12-14). 2. Porém, mesmo o aprisionamento de Paulo foi em alguns aspectos um beneficio para ele, porque passou esses dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e isso foi mais, que eu saiba, do que ele jamais fizera antes.
Ele sempre esteve acostumado a se hospedar na casa dos outros, agora ele tem uma casa que é sua — sua enquanto ele pagar o aluguel; e um retiro como esse seria um alívio para alguém que passou todos os seus dias como itinerante. Ele sempre esteve acostumado a se mudar, raras vezes se demorava em um lugar mas agora ele morou por dois anos na mesma casa; de maneira que a sua remoção para essa prisão foi como o chamado de Cristo a seus discípulos para virem a um lugar deserto e repousar um pouco (Mc 6.31).
Quando estava em liberdade, estava continuamente com medo das ciladas dos judeus (cap. 20.19), mas agora sua prisão era sua fortaleza. Assim, do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte.
Todavia, é um prazer para nós (porque nós temos certeza de que foi para ele) que, embora nós o deixemos em prisões por Cristo, também o deixamos trabalhando por Cristo, e isso tornou suas prisões suportáveis para que ele não fosse por elas impedido de servir a Deus e fazer o bem. Sua prisão se torna um templo, uma igreja, e assim é para ele um palácio.
Suas mãos estão amarradas, mas, graças a Deus, sua boca não foi amordaçada; um ministro zeloso e fiel pode suportar melhor qualquer dificuldade do que ser silenciado. Aqui Paulo é um prisioneiro, e, no entanto, um pregador; ele está preso, mas a palavra do Senhor não.
Quando escreveu sua epístola aos Romanos, disse que desejava vê-los, para lhes comunicar algum dom espiritual, afim de que fossem confortados (Rm 1.11); ele estava contente de ver alguns deles (v. 15), mas sua alegria seria incompleta a menos que pudesse dividir com eles algum dom espiritual, que aqui ele tem uma oportunidade de fazer, e então ele não se queixará de seu confinamento. Observe:

1. A quem ele pregava:
para todo aquele que tinha disposição para ouvi-lo, quer judeus quer gentios. Não parece que ele tinha liberdade de ir para as outras casas para pregar; é provável que não; mas quem quer que tivesse liberdade de vir à sua casa para ouvir era bem-vindo: ele recebia todos quantos vinham vê-lo. Note:
As portas dos ministros devem estar abertas para aqueles que desejam receber instrução deles, eles devem ficar contentes de ter oportunidade de aconselhar aqueles que se importam com sua alma. Paulo não podia pregar em uma sinagoga, ou qualquer lugar de encontro que fosse suntuoso e espaçoso, mas ele pregava em sua pobre cabana. Note:
Quando não podemos fazer o que gostaríamos para o serviço de Deus, devemos fazer o que podemos. Aqueles ministros que têm apenas pequenas casas alugadas devem antes pregar nelas, se tiverem a permissão de fazer isso, e não ficar calados.
Ele recebia todos quantos vinham vê-lo, e não tinha medo dos grandes, nem se envergonhava dos pequenos. Ele estava pronto para pregar no primeiro dia da semana aos cristãos, no sétimo dia aos judeus, e a todos que quisessem vir em qualquer dia da semana; e ele podia esperar que o bem fosse promovido porque eles vinham vê-lo, o que pressupunha um desejo de serem instruídos e disposição para aprender e onde há esses elementos é provável que algum bem possa ser feito.

2. O que ele pregava.
Ele não enche a cabeça deles com especulações curiosas, nem com questões de estado e política, mas se mantém na sua área, se ocupa de seus negócios como apóstolo. (1) Ele é embaixador de Deus, e por isso, prega o Reino de Deus, faz tudo o que pode para pregá-lo, administra suas tarefas para o progresso de todos os seus interesses verdadeiros. Ele não interfere nos assuntos dos remos dos homens; que aqueles que tratam deles se ocupem com isso.
Ele prega o Reino de Deus entre os homens e a palavra daquele reino; o mesmo que ele declarava em seus debates públicos, o bom testemunho do reino de Deus (v. 23), ele destacava em sua pregação pública, como aquilo que, se recebido corretamente, torna a todos nós sábios e bons, mais sábios e melhores, que é a finalidade da pregação. (2) Ele é um agente de Cristo, um amigo do noivo, e por isso ensina as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo — toda a história de Cristo, sua encarnação, doutrina, vida, milagres, morte, ressurreição e ascensão; tudo que se relaciona ao mistério da piedade.
Paulo prendia-se ainda ao seu princípio — não sabei’ nem pregar nada senão Cristo, e esse crucificado. Os ministros, quando na pregação são tentados a se desviar daquilo que é sua função principal, deveriam se limitar com esta pergunta: O que isso tem que ver com o Senhor Jesus Cristo?
Que força tem isso para nos levar a Ele e nos manter no caminho com Ele? Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus.
3. Com que liberdade ele pregava. (1) A graça divina lhe deu liberdade de espírito. Ele pregava com toda confiança, como alguém que estava bem seguro da verdade do que proclamava — isso ele ousava sustentar; e também do seu valor — por isso ele ousava sofrer. Ele não se envergonhava do evangelho de Cristo. (2) A Providência divina lhe deu liberdade para falar: Ele pregava sem impedimento algum; ninguém ficava monitorando suas atividades ou impondo qualquer restrição.
Os judeus que costumavam proibi-lo de falar aos gentios não tinham autoridade aqui; e o governo romano ainda não considerava que seguir o cristianismo fosse um crime.
Nisso nós devemos reconhecer a mão de Deus: [1]
Ao estabelecer limites à fúria dos perseguidores; onde Ele não converte o coração, Ele ainda pode amarrar a mão e refrear a língua. Nero era um homem sanguinário, e havia muitos, tanto judeus quanto gentios, em Roma, que odiavam o cristianismo; e, no entanto, acontecia inexplicavelmente que Paulo, embora um prisioneiro, fosse tolerado como pregador do evangelho, e isso não era interpretado como violação da ordem pública. Desse modo, Deus faz a cólera do homem redundar em seu louvor e o restante da cólera, ele a restringe (Sl 76.10).
Embora houvesse muitos que tinham poder de proibir a pregação de Paulo (mesmo o soldado comum que o guardava poderia tê-lo feito), Deus ordenou de tal forma que ele pregasse sem impedimento algum. [2] Veja aqui Deus proporcionando conforto para alívio do perseguido. Embora fosse uma esfera muito baixa e estreita de oportunidade na qual Paulo estava aqui colocado, comparada com aquela em que ele tinha estado, porém, tal como era, ele não era molestado nem perturbado.
Embora não fosse uma porta ampla que estava aberta para ele, mesmo assim foi mantida aberta, e nenhum homem teve a permissão de fechá-la; e ela foi para muitos uma porta eficaz, de maneira que havia santos até na casa de César (Fp 4.22). Quando a cidade de nossas solenidades é desse modo feita uma habitação tranqüila a qualquer tempo, e nós somos alimentados dia após dia com o pão da vida, sem nenhum homem nos proibindo, nós devemos dar graças a Deus por isso e nos preparar para mudanças, ainda que desejando aquela sagrada montanha na qual jamais haverá sarça de espinhos nem abrolhos dolorosos